5.8.11

A paternidade ética

A ética, esta companheira, que deve estar sempre presente nas nossas relações com o mundo, também deve nortear os ideais paternais. Afinal, o que podemos esperar dos filhos quando encontramos dentro da geladeira aquela caixa de leite vazia ou, o pote de margarina vazio, ou, a jarra de água vazia? E, o que isso tem a ver com ética? O que pode ter em comum com esse filho um pai que para em fila dupla ou em cima da faixa de segurança?
Bem, ambos podem não ter aprendido que se preocupar com o bem-estar dos outros é muito importante. 
Num relato precioso, a palestrante e professora da ESPM/RS, Dulce Ribeiro, contou que presenciou uma triste cena numa sinaleira em POA, onde um rapaz com malabares fazia uma apresentação para os motoristas. Num ímpeto e dando risadas, uma criança no carro ao lado abriu a janela e jogou uma casca de banana no boné do artista, enquanto o motorista, escondido atrás do insulfilme, manteve-se alheio. Era um pai ou apenas um motorista? Não se sabe, mas, sabe-se que foi um adulto omisso.
Dulce lembrou que na Antiga Grécia, Aristóteles já procurava sistematizar a ética. Para ele, “toda a ética digna desse nome parte da vida e se propõe a reforçá-la, pois fala da vida”. Se a ética sustenta a vida, quando falamos de uma sociedade sustentável, ela é uma sociedade ética. Assim, um pai ético sustenta seu filho em valores, o que garantirá que este adquira costumes que sustentarão e reforçarão a vida nas suas relações com o mundo.
O Homem de Bem, no cap. XVII do Evangelho Segundo o Espiritismo – Sejam Perfeitos -“Pensa primeiro nos outros antes de pensar em si, procura os interesses alheios antes de procurar os seus. O egoísta, ao contrário, calcula os ganhos e as perdas de cada ação generosa”. Cada vez que um pai aumenta o conhecimento e a prática de atitudes de respeito aos outros, mais o filho compreende as razões da liberdade de ser e de pensar diferente. Um pai ético pode significar uma família ética. 
 Um pai amoroso precisa ensinar o filho a fazer escolhas éticas que beneficiam a todos, acabando de vez com essa cultura nefasta de ganhar ou perder, destruindo essas raízes orgulhosas do poder, que tem colocado a sociedade em baixos níveis de tolerância às fragilidades humanas. Ostentar um estilo de vida que não se tem sustenta a mania de se tirar vantagem e vice-versa. Contribuímos para o aumento da falta de respeito quando ensinamos nossos filhos a arte de ostentar, de consumir o que se quer apenas porque muitas vezes é possível e fácil (ou não!). É preciso que o pai possa livrar-se dos seus preconceitos, ser frágil, camarada e profundamente forte na ética que sustentará o seu filho e o mundo, transformando-o num verdadeiro homem de bem. 
Abraços a todos os pais que neste mês são os maiores homenageados.  

DIJ - Departamento da Infância e Juventude

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